Os pontos em questão são as dificuldades de gestão dos recursos naturais de ecossistemas exemplares. Os altos preços pagos pelo Estado pelas desapropriações e as desapropriações que propriamente não acontecem.
Fala-se em dificuldade de remoção das comunidades tradicionais que ocupam o interior das unidades restritivas e também de suas proximidades, onde podem ser encontrados grandes índices populacionais que mantem relações diretas com as unidades.
Os dados são de que no âmbito federal as unidades de conservação estão apenas 40% de sua totalidade sob domínio do IBAMA. Que 30% são de terceiros e precisam ser desapropriados. E que os outros 30% da área são de caráter ainda mais confuso, estando sob uso de posseiros ou das já mencionadas comunidades tradicionais.
Fala-se em negligencia ao gerir o ambiente, com extração demasiada e mau uso da área de entorno, da necessária revisao no padrão de ocupação do espaço e seus recursos naturais. Foco na discussão da problemática: populações tradicionais versus conservação do ambiente ocupado.
O texto de Rinaldo Arruda discorre a respeito do tipo de uso indígena do ambiente, quanto à extração e produção para o consumo. Tipo de uso que foi passado de geração para geração e ainda permanece em comunidade ligadas a atividades rurais. Trata-se das técnicas adaptativas indígenas para diferentes culturas, tais como roça consorciada, itinerante, com base na queimada, tipo ‘slash-and-burn’, além de outros implementos da cultura rústica brasileira. Sendo que a cultura rústica era baseada no consumo familiar, onde uma família se articulava com a outra originando o que chamaram de bairro rurais.
Modo contrario às atividades indígenas, o autor fala sobre a exploração portuguesa que tinha como base extrair um único produto de cada um dos lugares explorados, sendo estes lugares transferidos para onde os recursos naturais estavam. O que significa dizer em um modo de produção baseado na premissa: onde havia riqueza eles estavam, formando núcleos populacionais e uma:
“Produção econômica de certa envergadura, baseados no trabalho escravo e na monocultura ou extrativismo de um único produto. Com a escassez do produto explorado restava no mais das vezes núcleos populacionais relativamente isolados e dispersos subsistindo numa economia voltada para a autosuficiência, marcados por uma fisionomia e características predominantemente indígenas.(ARRUDA)”
Fazendo um paralelo acerca de uma questão que envolve também o texto de Jose Augusto Drummond quando este questiona a relação entre natureza rica e povos pobres. O cientista ambiental cita Diegues (1996) e menciona a diferença no uso da terra para o cultivo familiar e o de exploração, referindo-se ao primeiro como um fenômeno “um sentimento de pertença fundado na cosmologia simbólica” e, por ser simbólica, de grande valor para uma sociedade.
E fala da exploração em larga escala, baseando-se em estudos e dados sobre o extrativismo em paises subdesenvolvidos e em áreas subdesenvolvidas de paises desenvolvidos. Conduzindo seus pensamentos até a conclusão de que a possibilidade de desenvolvimento urbano e tecnológico da sociedade não está relacionada à riqueza natural do lugar, determinante para as produções extrativistas. O que significaria dizer que o método contrário ao rústico não é nem de longe determinante do êxito e justiça social. Que, pelo contrário, pode prejudicar este crescimento econômico, mais facilmente atribuído a regiões onde acontece o que chama de produção de transformação. Para tanto cita Bunker, que afirma ser o extrativismo gerador de produtos nos quais o trabalho humano não é "o determinante principal do valor (…) (O valor fundamental da madeira,) dos minerais, petróleo, peixes e assim por diante faz(em) parte dos próprios bens, e não resid(em) no trabalho humano nele(s) incorporado. Valor adicional pode ser criado quando esses materiais são transformados pelo trabalho humano.”
Retornando a Rinaldo Arruda, este diz que ate mesmo o modo rústico de produção, aquele que não é baseado na monocultura mencionada acima por Jose Augusto, deve sofrer transformações adequando-se a um modelo mais sustentável. Que isto é feito naturalmente a partir de uma observação por parte das próprias “populações tradicionais”, junto à percepção de que eram necessárias novas técnicas para manutenção e êxito da atividade.
As mesmas famílias que talvez tenham os 30% restantes das Unidades de Conservação que mencionamos mais acima, as de posse mais confusa. A vozes inativas dos modelos de unidades de conservação, onde as decisões não passam da alçada do Estado, que decidem as áreas a serem colocadas sobre proteção. Pessoas que vivem no interior ou no entorno das áreas e não participam destas decisões quanto ao cultivo e as práticas. Não participam e são perseguidas por seus métodos, determinando em muitos casos a expulsão das mesmas:
“Quando as populações resistem e permanecem, suas necessidades de exploração dos recursos naturais inerentes a seu modo de vida e sobrevivência raramente são reconhecidas. Ao invés disso, passa a ocorrer uma "criminalização" dos atos mais corriqueiros e fundamentais para a reprodução sociocultural destas comunidades. A caça, a pesca, a utilização de recursos da floresta para a manufatura de utensílios e equipamentos diversos, a feitura das roças, a criação de galinhas ou porcos, o papagaio na varanda, a lenha para cozinhar e aquecer, a construção de uma nova casa para o filho que se casou, etc., tudo isso é, de uma penada jurídica, transformado em crime e seus praticantes perseguidos e penalizados.” (ARRUDA)
O autor defende que não são estas populações que determinam a dilapidação do patrimônio ambiental, muito pelo contrario. As práticas oriundas das atividades Portuguesas sim, a dos grandes estrategistas capitalistas. Deixando clara a necessidade de respeito a estas populações, as indígenas ou as ditas tradicionais, tão herdeiras de uma cultura como dignas de civilidade.