segunda-feira, 7 de março de 2011

Pode-se visualizar a imagem do Mar de Morros e os condomínios ecologicos residenciais. Um no entorno do outro. Apenas os condomínios levando vantagem. É que os próprios limites e características do relevo onde se situam os condomínios, com vales, encostas, paredões rochosos e pequenas reservas ambientais, já são responsáveis por formar uma barreira contra o acesso dos não moradores, promovendo a mais atual forma de segregação. Algo como um novo monopólio do verde.
A tendência foi e continua (em crescimento) sendo levar para estes locais uma rede de conforto, segurança, requinte, lazer, e nos dias atuais de conscientização ambiental, proximidade com as áreas verdes. Estas últimas adequando-se ao pensamento atual de sustentabilidade ambiental, novo marketing das construções civis, chamariz da classe alta, que associa acesso ao verde como status social.

quarta-feira, 2 de março de 2011

...Porque a mídia se vale e se fundamenta em matérias ditas “quentes”. Impactos Ambientais apenas tem noticiabilidade quando já viraram catástrofes. E em raras exceções, quando abordadas as necessidades de ações e providencias, a matéria fica restrita a editorias isoladas, algo como cartas do leitor. É que para as mídias atuais seu interesse de lucro não combina com ação social e sustentabilidade virou nada alem de estratégia de marketing de empresas.
E entao o meio, antes ambiente, ficou climatizado e iluminado por uma tela LCD. A relação homem versus meio ambiente não é tão simples, mas deve ser analisada a partir de um pilar básico. Não há consciência social porque o homem está enganado acerca do que significa a sua atual realidade. Ele não percebe que a vida recentemente vivida é sem dúvida a grande ilusão da história e não percebe que sua mente está sendo condicionada a não pensar. Não vê que sua responsabilidade ultrapassa o aparentar ser bem sucedido, está além de receber uma promoção profissional e além ainda de estar, passivo, atrás de uma mesa bem posta de jantar. Seu personagem criado e credenciado pela sociedade de consumo não tem tanto tempo a perder como supõe. O meio está em acelerada transformação, enquanto insistimos em ficar para a posteridade como figurantes de uma era de tão grande propensão. Aceitando humildemente o papel de cobaias das Tecnologias de Informação. Se fizéssemos idéia de quão imenso é o universo que as novas tecnologias possibilita, decerto não estaríamos atrás das grades retangulares de uma TV. Nem o laptop teria como pagina principal o facebook.
            Em sintonia com o estilo passivo de ser, a política pública não costuma ser de prevenção e o grito é subseqüente ao desespero. E assim permitimos por estarmos vivendo em um universo paralelo, o da catarse, tentando ainda solucionar a problemática que nós mesmos criamos no dia em que resolvemos nos entregar ao vazio de sentido das coisas, ao tempo vulgarmente acelerado e passional. Neste contexto de dias atuais qualquer iniciativa perde força e fica meio que em vão, ao menos até que vire moda. De fato tem surgido algumas menções acerca da importância de se cuidar do meio ambiente, o real, o planeta em que vivemos. Suspiros de responsabilidade social na mídia e a esperança de que ela passe a veicular os conceitos que se precisa, levando a sociedade (e aqui, nesta reflexão, admitimos seu poder sobre os espectadores) ao lugar comum de entendimento e pertença, a uma identidade real.
            Em outro vértice, coexistindo ao ambiente de consumo exacerbado, e coexistindo sem grandes disputas, o ambiente acadêmico se contrapõe. Característico ambiente de circulação de idéias e pesquisas. Em Juiz de Fora, além da Universidade Pública Federal, as Privadas ganham espaço, ultrapassando 10, número consideravelmente alto para uma cidade com aproximadamente 526.000 habitantes. Dados diante dos quais supomos garantida a conscientização dos jovens para a questão sócio-ambiental. Supondo ainda que as escolas sigam também estes passos. O que sera sem duvida o único caminho para que a sociedade atual de transição não se perca na história tendo deixado apenas o “legado de sua miséria”, que no caso deste texto, e diferente de Machado de Assis, eu quis que tivesse o significado de “um mundo inabitável aos seus filhos”.
Sendo assim, entenderíamos que espaço para idéias e indivíduos socialmente conscientes nós temos, e em crescimento! Tal como teríamos pesquisas tecnológicas, fundamentais ao crescimento, como colocado pelo cientista social, Ignacy Sachs. Ficam os votos de que hajam recursos e de que sejam feitas as melhores políticas para que não se perca tanto nem tempo. “Os historiadores do futuro terão dificuldade para explicar como o país que tinha as melhores condições do mundo para promover um desenvolvimento equilibrado entre a cidade e o campo deixou-se levar para uma desruralização acelerada, acompanhada pela formação de favelas — verdadeiras ‘pré-cidades’ —, onde os refugiados do campo esperam um dia ser urbanizados. E pensar que um dos impulsionadores desta migração não está longe de ter como uma das causas o monopólio da esfera ilusória do consumo. Onde são projetados sonhos e vidas exemplares, ilusão de ascensão financeira e pessoal. Indo ao encontro, e abraçando esse pensamento, os dados sobre o município de Juiz de Fora revelam que menos de 1% de sua população reside no meio rural. Sendo que a maior parte da vegetação, predominantemente Mata Atlântica, foi devastada para a atividade de agricultura e pecuária. De tudo só é estranho o fato da cidade ter apenas um único shopping.
Na classificação nacional, em 2008, Juiz de Fora alcançou o 57º lugar no PIB, sendo entretanto o setor de serviços responsável por 70% do PIB, o da indústria 29% e a agropecuária por 1%. Ignacy menciona que o Brasil poderia atingir um lugar de ponta na pesquisa mundial em áreas como a valorização energética e industrial da biomassa. Assumindo “a sua vez entre as grandes civilizações baseadas em vegetais, com base numa gestão ecologicamente prudente de suas florestas, de seu solo e de suas águas, que contêm extraordinária biodiversidade”. E temos que concordar porque temos universidades e grandes pesquisadores, mas sem esquecer de o maior índice de jovens ainda é o de candidatos a uma vaga no seriado Malhação...
Sendo assim, nada muito diferente que no âmbito nacional, nosso patrimônio ambiental local também não tem sido visto. E isso não apenas por ter restado tão pouco dele. Mas é que é tendência nossa, de meio século já, não ver nada que esteja menos próximo que a TV. Convencionou-se ver melhor por meio das representações do real, da vida simbólica, ambiciosamente desejada por nós, receptores/consumidores de sua programação. A relação de preservação entre “homem meio ambiente” sempre será de descaso até que alguém comercialize de fato esta idéia.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Acontece aqui. Eventos do efeito estufa no Brasil.

(...)

Sabe-se que não se pode concretamente separar os efeitos do aquecimento causado pelo homem da variabilidade natural do clima, ao menos quando se trata de casos isolados, mas alguns fenômenos característicos e já previstos anteriormente podem ser correlacionados.  Observa-se fenômenos como o Furacão Catarina (2004), tornado no Rio Grande do Sul, ciclones na costa sul e sudeste, tempestades causando alagamentos e enchentes intensas em todo o Brasil. Ondas de calor, tendo já sido avaliado aumento de 1º C a 3º C nas temperaturas mínimas, registrado em todas as regiões de SC. Também no sul, a ocorrência de secas com prejuízo para o turismo, como ocorrido no período de baixa das águas nas Cataratas do Iguaçu. 
Queimadas. Desertificação com destruição da caatinga, ocasionada pelas estiagens e desmatamento levaram prejuízos à agricultura. Tem-se que na safra 2004/2005, agricultores gaúchos enfrentaram a maior estiagem dos últimos 50 anos. “A perda foi de 8,5 milhões de toneladas de grãos (soja, milho e feijão), com um prejuízo recorde de R$ 3,64 bilhões e 451 municípios em situação de emergência ou estado de calamidade (dados Green Peace).”
O Estado do Rio de Janeiro e no Recife sofreram com alterações na corrente marítima e nos ventos, perdendo já metros de praia. A chegada mais freqüente de pingüins no início do inverno nas praias do Rio indica mudanças nestas correntes. O aquecimento das águas do mar provoca o branqueamento dos corais, prejudicando o ecossistema e milhares de espécies da fauna marinha. Fenômeno ocorrido no arquipélago de Abrolhos, na Bahia, e na costa do litoral de São Paulo. Ressacas são observadas em diversas cidades litorâneas, ocasionadas pela expansão térmica e elevação dos níveis dos oceanos.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

           Efeito estufa é um fenômeno natural de formação de uma camada de gases, como o dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e vapor d’agua na atmosfera, que é responsável pela manutenção da temperatura da Terra em uma média de 15º C. A camada de gases aprisiona parte do calor do sol que incide em nosso planeta, possibilitando a existência.  Sem eles, a temperatura seria de cerca de -17º C.
           A questão é que, de acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), este fenômeno está se transformando. A grande quantidade de emissão dos gases vem formando uma camada de poluentes que absorve grande parte da radiação infra-vermelha emitida pela Terra, dificultando a dispersão. O que vem causando o aumento na temperatura do planeta. A informacao é de que a tendência é que mais 0,4 ºC seja acrescido em sua temperatura média nos próximos 20 anos.
           Fator que tem como causa o intenso uso de combustíveis fósseis, como o petróleo, o desmatamento e a queimada em florestas, a decomposição de matéria orgânica em aterros, depósitos de lixo e arrozais.
           A preocupação com o aquecimento global se deve devido à forma de energias utilizadas e pelo fato do fenômeno estar diretamente ligado ao comportamento da sociedade atual, que tem como estilo de vida o consumo. Estilo que só vem se enraizando nos povos de todo o mundo. Que tem como base ações como o intenso transporte de mercadorias e a efemeridade dos produtos por meio de uma obsolescência programada, o que é responsável pela intensificação da emissão dos já mencionados gases poluentes.  
           Preocupação que faz com que tenhamos de pensar no valor real de cada item adquirido e o quanto se prejudica o meio ambiente, a chamada exteriorização do custo de produção. O problema está na falta de conscientização da necessidade de se avaliar o referido custo. Se antes o que contava era o que a pessoa era, em que trabalhava, hoje o que vale é como ela se aparenta. A informação é de que 99% de todas as coisas produzidas viram lixo em menos de 6 meses e que atualmente se consome nos EUA o dobro que há 50 anos. Preocupação no fato de ser a compra o ritual da sociedade atual, em um processo de satisfação do ego no consumo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Os pontos em questão são as dificuldades de gestão dos recursos naturais de ecossistemas exemplares. Os altos preços pagos pelo Estado pelas desapropriações e as desapropriações que propriamente não acontecem.  
Fala-se em dificuldade de remoção das comunidades tradicionais que ocupam o interior das unidades restritivas e também de suas proximidades, onde podem ser encontrados grandes índices populacionais que mantem relações diretas com as unidades.
Os dados são de que no âmbito federal as unidades de conservação estão apenas 40% de sua totalidade sob domínio do IBAMA. Que 30% são de terceiros e precisam ser desapropriados. E que os outros 30% da área são de caráter ainda mais confuso, estando sob uso de posseiros ou das já mencionadas comunidades tradicionais.
Fala-se em negligencia ao gerir o ambiente, com extração demasiada e mau uso da área de entorno, da necessária revisao no padrão de ocupação do espaço e seus recursos naturais. Foco na discussão da problemática: populações tradicionais versus conservação do ambiente ocupado.
O texto de Rinaldo Arruda discorre a respeito do tipo de uso indígena do ambiente, quanto à extração e produção para o consumo. Tipo de uso que foi passado de geração para geração e ainda permanece em comunidade ligadas a atividades rurais. Trata-se das técnicas adaptativas indígenas para diferentes culturas, tais como roça consorciada, itinerante, com base na queimada, tipo ‘slash-and-burn’, além de outros implementos da cultura rústica brasileira. Sendo que a cultura rústica era baseada no consumo familiar, onde uma família se articulava com a outra originando o que chamaram de bairro rurais.
Modo contrario às atividades indígenas, o autor fala sobre a exploração portuguesa que tinha como base extrair um único produto de cada um dos lugares explorados, sendo estes lugares transferidos para onde os recursos naturais estavam. O que significa dizer em um modo de produção baseado na premissa: onde havia riqueza eles estavam, formando núcleos populacionais e uma:
 “Produção econômica de certa envergadura, baseados no trabalho escravo e na monocultura ou extrativismo de um único produto. Com a escassez do produto explorado restava no mais das vezes núcleos populacionais relativamente isolados e dispersos subsistindo numa economia voltada para a autosuficiência, marcados por uma fisionomia e características predominantemente indígenas.(ARRUDA)”


Fazendo um paralelo acerca de uma questão que envolve também o texto de Jose Augusto Drummond quando este questiona a relação entre natureza rica e povos pobres. O cientista ambiental cita Diegues (1996) e menciona a diferença no uso da terra para o cultivo familiar e o de exploração, referindo-se ao primeiro como um fenômeno “um sentimento de pertença fundado na cosmologia simbólica” e, por ser simbólica, de grande valor para uma sociedade.
E fala da exploração em larga escala, baseando-se em estudos e dados sobre o extrativismo em paises subdesenvolvidos e em áreas subdesenvolvidas de paises desenvolvidos. Conduzindo seus pensamentos até a conclusão de que a possibilidade de desenvolvimento urbano e tecnológico da sociedade não está relacionada à riqueza natural do lugar, determinante para as produções extrativistas. O que significaria dizer que o método contrário ao rústico não é nem de longe determinante do êxito e justiça social. Que, pelo contrário, pode prejudicar este crescimento econômico, mais facilmente atribuído a regiões onde acontece o que chama de produção de transformação. Para tanto cita Bunker, que afirma ser o extrativismo gerador de produtos nos quais o trabalho humano não é "o determinante principal do valor (…) (O valor fundamental da madeira,) dos minerais, petróleo, peixes e assim por diante faz(em) parte dos próprios bens, e não resid(em) no trabalho humano nele(s) incorporado. Valor adicional pode ser criado quando esses materiais são transformados pelo trabalho humano.”
Retornando a Rinaldo Arruda, este diz que ate mesmo o modo rústico de produção, aquele que não é baseado na monocultura mencionada acima por Jose Augusto, deve sofrer transformações adequando-se a um modelo mais sustentável. Que isto é feito naturalmente a partir de uma observação por parte das próprias “populações tradicionais”, junto à percepção de que eram necessárias novas técnicas para manutenção e êxito da atividade.
As mesmas famílias que talvez tenham os 30% restantes das Unidades de Conservação que mencionamos mais acima, as de posse mais confusa. A vozes inativas dos modelos de unidades de conservação, onde as decisões não passam da alçada do Estado, que decidem as áreas a serem colocadas sobre proteção. Pessoas que vivem no interior ou no entorno das áreas e não participam destas decisões quanto ao cultivo e as práticas. Não participam e são perseguidas por seus métodos, determinando em muitos casos a expulsão das mesmas:

“Quando as populações resistem e permanecem, suas necessidades de exploração dos recursos naturais inerentes a seu modo de vida e sobrevivência raramente são reconhecidas. Ao invés disso, passa a ocorrer uma "criminalização" dos atos mais corriqueiros e fundamentais para a reprodução sociocultural destas comunidades. A caça, a pesca, a utilização de recursos da floresta para a manufatura de utensílios e equipamentos diversos, a feitura das roças, a criação de galinhas ou porcos, o papagaio na varanda, a lenha para cozinhar e aquecer, a construção de uma nova casa para o filho que se casou, etc., tudo isso é, de uma penada jurídica, transformado em crime e seus praticantes perseguidos e penalizados.” (ARRUDA)



            O autor defende que não são estas populações que determinam a dilapidação do patrimônio ambiental, muito pelo contrario. As práticas oriundas das atividades Portuguesas sim, a dos grandes estrategistas capitalistas. Deixando clara a necessidade de respeito a estas populações, as indígenas ou as ditas tradicionais, tão herdeiras de uma cultura como dignas de civilidade.
O senso comum talvez considere até os dias atuais que o termo cultura faça referencia ao desenvolvimento intelectual do individuo, significando o nível de conhecimento e de civilidade de uma pessoa, conforme exposto na “Introdução ao conceito de cultura”. Isto porque tem-se como senso comum as experiências não cientificas, comprovadas apenas pelo método de tentativas e erros, vulgo, pelo “achismo” que consolidam regras e costumes nas sociedades.
Diferindo do conceito antropológico de cultura pelo fato de ser, neste caso, atribuído a ela o “conjunto de conhecimentos, crenças, artes, normas e costumes, e muitos outros hábitos e capacidades adquiridos pelos homens em suas relações como membros da sociedade” (Tylor, 1874), tudo isso formulado em estudos sistemáticos.
Penso que o senso comum seria algo como que o aspecto prático do estipulado conceito antropológico de cultura, já que, tal como esta, oferece à sociedade valores e dá sentido a existencia. Porque os indivíduos se valem cotidianamente do senso comum para suas atividades mais simples. Senso comum difundido e materializado por meio da implacável reguladora social, a mídia. Responsável pelas ideologias e identidades cada vez mais efêmeras e superficiais, que exigem um estudo também dinâmico para se formalizar sistematicamente e definir os aspectos da diversidade cultural na atualidade.

Significar em novas acoes


“O homem é um animal amarrado a teias de significado que ele mesmo teceu, e tem a cultura como sistemas entrelaçados de signos interpretáveis” (GEERTZ).

Ainda de acordo com o antropólogo Clifford Geertz, o homem faz da sobrevivência uma prática social e para tanto estabelece relações com os outros homens e com a natureza. No âmbito da prática econômica transforma os bens para o seu consumo e manutenção da vida. No âmbito simbólico age produzindo símbolos, sendo os símbolos tidos como os valores, idéias, leis, linguagem, que dão significado a sua existência.
Sabemos que a prática econômica está inteiramente ligada aos símbolos criados pelas instituições públicas e privadas, que determinam as diretrizes da sociedade humana. Diretrizes embasadas no consumo. Assim, levaríamos para casa o valor de uso do produto, imbuído de um signo que produz um significado reconhecido pela sociedade. Algo como comprar uma calça jeans por um preço 20 vezes maior que seu valor de produção pelo simples fato dele ser de uma determinada marca ou por uma modelo ou atriz renomeada tê-la usado anteriormente. Lembrando que estas personalidades midiáticas fazem a vez dos mitos, que na Mitologia Grega se valiam dos ritos para ditar regras e condutas. Foco nas representações e no consumo. Algo como se valer destes fatores para atribuir um significando ao produto e uma ilusão ao consumidor, impondo (mesmo assim) um sentido à experiência.
Cassirer (1994) vai ao encontro deste pensamento quando, para ele, imagens percebíveis sensorialmente são impregnadas de experiência humana por meio destes símbolos pré fixados pela sociedade, formando uma estrutura de significados denominada cultura. Cultura como modos de fazer, práticas corporais, crenças, saberes, gostos, hábitos e estilos, artes, concepção de mundo, conceitos de natureza, de sociedade e de humanidade, as noções de sagrado, de proibido, de obrigatório, as relações econômicas, políticas e familiares, as religiões, as profissões, etc”, sistema simbólico constituído por estrutura de significado socialmente estabelecida.
Tem-se que infelizmente a necessidade de preservação no meio ambiente parece não compor este contexto simbólico atual, já que o que tem valor está justamente no vértice oposto da preocupação com meio, referindo-no ao já mencionado consumo. A necessidade de consumir uma gama cada vez maior de produtos de diversos tipos é o que está inserido nas mensagens divulgadas no que chamam de praça pública da atualidade, a mídia. Tendo como praças públicas o ambiente nos quais os homens de poder se encontravam para disseminar idéias e ditames sociais em épocas passadas.
Mais uma vez de acordo com Geertz, as instituições ordenariam os padrões de conduta, “que decorrem de atitudes condicionadas em normas e baseadas em valores determinados tanto pelas crenças quanto pelas idéias”. 
Instituições estas que agora governam o comportamento de uma outra forma. Controlam a sociedade na medida que o espectador está do outro lado da TV, em suas salas de estar, participando dos discursos atuais. Discursos que, conforme já dito, raramente contém mensagens subliminares de proteção do nosso meio.
Entretanto, como mencionado em estudos apontados por Marcelo Simão Mercadante sobre serem os processo de interconexão entre saberes, práticas e conhecimentos relativos ao meio ambiente, o interesse é o que determina a apreensão dos saberes. “Os órgãos do sentido são geneticamente programados para coletar informações brutas do meio que nos cerca, mas a cultura não só arruma e hierarquiza estas informações como seleciona nossa atenção para o que seria realmente relevante num dado momento, evitando assim que sejamos bombardeados por um excesso de informações que dificilmente poderíamos elaborar e dar coerência, impedindo assim qualquer ação”. 
O que pode significar dizer que, no caso ambiental, enquanto não houver ação dos então reguladores sociais (sobretudo a mídia) em busca de uma conscientização do nosso papel de agentes protetores do meio, provavelmente a sociedade não absorverá o significado disso. Lembrando que a realidade que apreendemos hoje, referente ao consumo, é a que já tem sido por algum tempo ditada nestas mensagens, no caso subversivas, dos veículos de comunicação. Conforme dito, uma prática de comportamento não muda se não estiver absorvido em nosso conhecimento.
E já que foram mencionados os interesses e a sala de estar, interessante pontuar a diferença entre o que rege a vida dos ameríndios, que se valem de seus significados ancestrais mais ricos, protegendo sua casa que é seu meio ambiente, e nós, seres urbanos. Nós, seres da mesma espécie que não percebemos que a verdadeira casa não é nossa residência numerada, fechada aos quatro cantos para proteger nossos bens, sendo esses (“graças a Deus”) constituídos dos melhores móveis, em sintonia com o design mais atual.
            Questão, entretanto, de costumes e de comportamento. Questão de senso comum de cada sociedade. Na nossa, por exemplo, talvez tenha sido costumeiro não se importar com as consequências de cada ato uma vez que são  alcançados lucros. Alguns responsáveis de empresas de celulose, tema que será abordado em trabalho futuro (tal como toda esta questão de consciência social por meio dos veículos atuais), talvez até hoje não percebam os malefícios de jogar resíduos de sua ação nas águas de rios. Mesmo tendo tido que se adequar, devido a regulamentações na década de 80, quanto aos impactos de sua ação. E espera-se que toda a apreensão desta responsabilidade seja cada vez mais por eles positiva, já que pela teoria também mencionada nos estudos de Mercadante “uma vez delimitada uma gama de conhecimentos acerca do meio ambiente, ou mesmo de um ponto dentro deste meio, este corpo de informações formata sua percepção”. E ainda ”o que conheço vai influir diretamente sobre o que faço, no como faço”.